Entendendo a Ansiedade e o Medo




O medo é algo concreto. Ele pode estar no passado ou futuro, mas sempre está concretizado numa situação específica que pode acontecer ou voltar a acontecer. O medo de rodar numa prova. O medo de alguém nos magoar, como já ocorreu no passado. O medo de dirigir, pois um dia esteve num acidente...


O medo gera ansiedade. Ansiedade e medo andam de mãos dadas, pois como o medo é algo concreto, a ansiedade é o caminho até este algo concreto que está fora do agora.


Nos atendimentos com a psicoterapia SS, o medo é parte essencial de qualquer bloqueio mental detectado, tornando-se crença pela somatização do pensamento. Naturalmente, o EGO (parte essencial da psique que equilibra o ser a partir da criação de uma personalidade), cria traços de proteção para que este medo não se concretize: alguém que um dia foi traída tem dificuldade de se relacionar. Alguém que passou por dificuldades financeiras severas bloqueia o crescimento financeiro, por medo de perder tudo (desistir antes de tentar). Pessoas que foram subjugadas por pais dominadores tem medo de se expressar. Pessoas que sofreram abusos psicológicos severos, tendem a não confiar em ninguém. A lista é imensa, pois cada um de nós alimenta crenças específicas, devido ao medo de algo que já ocorreu ou pode ocorrer, sendo assim, passamos muito tempo da vida nos protegendo, eis a questão e vamos além, este algo não necessariamente ocorreu nesta vida, pois como acompanho nas regressões, um trauma de centenas de anos atrás pode reaparecer hoje, dependendo das circunstâncias da existência atual.


Uma coisa precisa ficar clara: onde está o nosso foco está nossa energia. Tudo que ocorre na nossa vida, de bom ou ruim, é uma somatização criada por cada um de nós. Quando digo somatização, precisa ficar claro que somos seres com milhares de existências, sendo que esta onde estamos é um reflexo de todas as outras.


Escolhemos estar aqui. Escolhemos nossos pais. Escolhemos estas experiências pelo simples fato de que na terra, na frequência de 3° dimensão, existem os gatilhos para que tudo que existe de negativo em nosso ser possa aflorar para ser trabalhado, transmutado, purificado, entendido e o ser possa evoluir como um todo espiritual.


Respeitar o EGO, amar o medo e levar luz para sua própria escuridão


A grande armadilha do ego está em criar um personagem que luta para não ficar vulnerável. Estamos sempre na defensiva, nos protegendo de algo, correndo para um lugar e outro, muitas vezes sem saber o objetivo, sem saber o porquê ou sem ao menos ter uma meta. Muitos desistem, culpam algum Deus, o externo, as circunstâncias, tudo parte deste personagem. Outros recorrem as drogas e viciações vinculadas aos 5 sentidos terrenos (sexualidade, gula, competir por bens materiais, etc...). Mas tudo isso acaba por refletir um medo interno de ser (ou não ter) algo que já passou ou se proteger de algo que pode acontecer.


Respeitar o EGO:


Primeiro, todos precisamos de um ego aqui na terra. Se livrar do ego é abrir mão de uma parte da nossa mente que existe para o equilíbrio neuronal, químico e existencial terreno. Nos livrar do que julgamos negativo no ego é a mesma coisa que empurrar a sujeira para baixo do tapete e fingir que não está lá, pois quando chega visita, a casa parece estar limpa. A sujeira está lá, e um dia vai cobrar seu preço. Nada no universo “some”, tudo se “transforma”, sendo assim, aquilo que fingimos não ser ou não ter acaba por nos dominar, pois é parte constituinte do nosso ser psicossomático. Vamos trocar o “se livrar” do ego pelo “purificar o ego”. Nosso ser terreno precisa de aprendizado, por fugir deste aprendizado e de si mesmo, que vemos no mundo hoje um grande baile de máscaras, fortalecido pelas redes sociais.


Amar o medo


O medo não passa de um “sinalizador”, e a ansiedade um aviso químico para o fato de que ele existe. Amar o medo é verificar o que de concreto ele tem e trabalhar para isso. Está com medo de rodar na prova e fica ansioso, sem dormir, pelo fato que isso pode acontecer? O tempo que você gasta pensando no fato concreto negativo é o mesmo que você teria para estar estudando. Tem medo de se relacionar com alguém pois foi traída? As pessoas não são iguais, a questão é: com qual tipo de pessoa você está se relacionando? Qual tipo de círculos sociais frequenta? Se tudo é uma somatização, o que esta traição tem a te ensinar? Se tudo é ação e reação, será que o traído de hoje não traiu um dia e precisa nesta vida trabalhar o orgulho? O medo é um aliado, pois sinaliza os “pontos onde precisamos melhorar”, mas caso nos aprisionemos num personagem que nos domina e não aprende, tornamo-nos orgulhosos, vaidosos, vingativos, e por ai vai... Traços de personalidade que criamos para proteger aquilo que não queremos que outros vejam.


Levar luz para sua escuridão


Todos estamos aqui com um objetivo: conhecer nossa escuridão. Aqui na terra nasce o orgulho daquele que dominou e sugou dos mais pobres um dia, para ter o falso brilho do ouro em suas mãos. Aqui na terra nasce a vaidade daquele que pisou em muitos seres se sentindo superior. Aqui na terra nasce a preguiça daquele que um dia teve todas as chances e não usou para nada, apenas para seus objetivos mesquinhos sensoriais. Aqui o rei de outrora nasce na dificuldade. Aqui o que matou nasce com o objetivo de cuidar. Aqui na terra é o local onde temos uma grande oportunidade de evolução, pois estamos aptos a conhecer nossos defeitos e fraquezas, que caso não sejam trabalhados, trancam a evolução do nosso ser pela densidade emocional advinda destas vibrações incrustadas em nosso corpo emocional e mental.


Qual a saída? O autoconhecimento sem “pré”conceito


Um dia Sócrates disse: “Conhece-te a ti mesmo e conhecerás o universo e os deuses”. Conhecer a si mesmo, parte de aceitar a si mesmo e o personagem. Você é arrogante? Orgulhoso? Vaidoso demais? Prepotente? Vitimista? Ambicioso sem limites? Não deseja levar nada a sério, apenas se divertir? Já traiu outra pessoa ou a si mesmo? Já roubou? Estes são apenas alguns pontos, que podem estar em cada um de nós, e precisam ser trabalhados. O medo deles nos sinaliza sua existência. A escolha de colocar uma máscara social, alimentada muitas vezes por psicoativos é individual, mas, cada traço de nosso personagem que precisamos trabalhar é uma porta para o nosso ser real, espiritual, pois o personagem é preso na materialidade por medo de se mostrar. Assim, o orgulhoso precisa trabalhar o desapego. O arrogante precisa entender o próximo. O prepotente precisa desenvolver a humildade. Tudo isso nasce de estudo, dedicação e desapego. Quando nos aprisionamos num personagem, precisamos lutar por uma aparência que convença o externo de algo, quando partimos, com humildade, para o conhecer a nós mesmos, não precisamos agradar ninguém, mas sim, as pessoas reconhecem em nosso aprendizado uma oportunidade de aprender.


Historinha:


Emmanuel, nos primórdios da mediunidade de Chico Xavier, deu-lhe algumas orientações.

Emmanuel – “Está você realmente disposto a trabalhar na mediunidade?”

Chico – Sim, se os bons espíritos não me abandonarem…

Emmanuel – Não será você desamparado, mas para isso é preciso que você trabalhe, estude e se esforce no bem.

Chico – E o senhor acha que eu estou em condições de aceitar o compromisso?

Emmanuel – Perfeitamente, desde que você procure respeitar os três pontos básicos para o Serviço…

Porque o protetor se calasse, Chico perguntou:

- Qual é o primeiro?

A resposta veio firme:

- Disciplina.

- E o segundo?

- Disciplina.

- E o terceiro?

- Disciplina.


Saimon Selau


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